A Importância da Psicomotricidade nos adolescentes com Trissomia 21

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Há algumas décadas atrás, muitos dos jovens com Trissomia 21 eram vistos como crianças a vida toda. Esta atitude tem vindo a mudar na sociedade, não só graças às inúmeras investigações que se têm realizado sobre esta temática, como às Associações de Pais destas crianças/jovens.

A adolescência por si só é um periodo de adaptação e de mudança, ainda mais quando se trata de jovens com Trissomia 21. Todos sabemos que as crianças/adolescentes com Trissomia 21, na generalidade apresentam: um ritmo mais lento em qualquer processo de aprendizagem; necessitam de mais tempo, mais treino, mais explicações; as estratégias mais eficazes são o modelo e o apoio visual; apresentam dificuldades de abstracção para planificar ou elaborar estratégias e na formação de conceitos; na resposta a diversas variáveis de uma só vez e têm uma capacidade de concentração menor. Segundo Pueschel (1998), na T21 a transição da infância para a idade adulta é vivida de uma forma muito intensa, pois apesar do processo se desenvolver do mesmo modo e, também, possuírem características físicas semelhantes aos indivíduos com desenvolvimento típico, estas podem não possuir as competências cognitivas e comportamentais essenciais para lidarem com as diversas exigências que ocorrem nesta fase, nem com os seus próprios desejos de independência.

Os pais e professores devem encorajar o jovem com Trissomia 21 a ser o mais independente possível em todas as áreas da sua vida. A sua independência prática e social vai ajudar bastante na incrementação da sua privacidade e dignidade como pessoa nos seus anos de jovem e adulto. É importante que cada individuo desenvolva todas as competências, que seja capaz e que tenha controlo sobre a sua vida. A investigação tem mostrado que um indivíduo que sinta que não tem controlo sobre a sua vida é vulnerável à ansiedade e consequentemente à depressão e à tristeza. Também o facto de nem sempre apresentarem capacidades linguísticas suficientes de forma a conseguirem exprimir os seus sentimentos à família e aos amigos, torna este período mais complicado e alguns mostram as suas aflições e problemas através de um comportamento agressivo ou tornam-se clinicamente depressivos (Buckley et al, 2006). Entretanto outros tentam harmonizar as pressões da adolescência sem mostrar sinais de tristeza, mas isso não quer dizer que não tenham passado por momentos dolorosos. Em geral, estes jovens têm demonstrado que os fatores que têm sido mencionados afetam o seu bem-estar e a saúde mental. Segundo estudos realizados existe uma frequência de 22% de perturbações psiquiátricas em pessoas com Trissomia 21. Comportamentos disruptivos, perturbações de ansiedade e comportamentos repetitivos são comuns nos adolescentes com menos de 20 anos, sendo a depressão mais frequente em adultos jovens (Määttä et al, 2006).

A maioria dos adolescente com Trissomia 21 ultrapassa esta fase e ajusta-se a uma vida adulta, mas muitas vezes precisam de suporte e apoio e como terapia, a Reabilitação Psicomotora pode ser essencial para esta população.

“A Psicomotricidade, como forma de intervenção sistémica, é, por si só, um recurso fundamental, se não indispensável, para responder a muitas situações onde a adaptação está comprometida e onde se vislumbra a necessidade de uma compreensão interligada do funcionamento do sujeito nos vários domínios, nomeadamente o motor, o afectivo, o cognitivo, o simbólico, o psicolinguístico e social” (Martins, Marques e Santos, 2006). Sendo assim, a Intervenção Psicomotora envolve mediação corporal, expressiva e lúdica que pretende harmonizar e maximizar o desenvolvimento global da personalidade. Através de um aumento da consciência e percepção corporal, o indivíduo terá maior capacidade para interpretar as reacções do seu próprio corpo, logo as atividades psicomotoras e a relaxação têm como objectivo diminuir os efeitos negativos ao nível psicossomático, que muitas vezes, surgem após tempos de maior ansiedade e stress, que são comuns nesta fase da adolescência.

Em suma, pode dizer-se que, tanto os pais, técnicos e professores deverão ser encorajados, não para assumir que os jovens não conseguem compreender o básico e optar por uma aproximação funcional demasiado rápida, mas antes continuar a dar-lhes a oportunidade de aprendizagem, pois se dominar o exercício com a persistência poderemos chegar a grandes aquisições, tanto básicas, como de cariz mais complexo. Deve-se sempre acreditar nestas crianças/jovens pois elas, com as terapias e o apoio adequado, provavelmente são capazes de grandes progressos.

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