E se fosse eu?

Captura de ecrã 2016-09-30, às 20.27.12.png

Se fosse a mãe …

sentiria um aperto no coração (certamente ainda maior do aquele que sinto) quando lido diariamente com a indiferença ou com a exclusão por parte dos que nos rodeiam e muitas vezes daqueles que menos esperamos;

sentiria certamente uma grande dificuldade em saber lidar com os comentários e as criticas daqueles que ao assistirem à tua birra, não a compreendem nem conseguem avaliar corretamente a minha atitude quando te interpelo calmamente ou simplesmente te seguro a mão, à espera que tua fúria termine e alcances finalmente a tranquilidade necessária para me ouvires;

aprenderia a relativizar dentro dos possíveis os diagnósticos, os pareceres, os resultados das avaliações, as notas, comentários e registos sucessivos, retirando deles apenas as informações que me permitissem potenciar o teu potencial no amanhã, mais próximo e mais longínquo;

sentiria dificuldade em (hora atrás de hora, dias a fio, de longos meses e anos sucessivos) gerir a vontade de abandonar tudo e isolar-me para ganhar forças para superar as dificuldades que surgem a cada novo dia e cada nova rotina e mudança;

aprenderia a conhecer-me e a compreender que sou um dos teus melhores modelos e que não há papel mais bonito e também mais difícil na sociedade do que educar, ensinando sentimentos e partilhando emoções e experiências (umas boas, outras más);

sentiria que dava tudo para substituir aqueles movimentos esquisitos (e muitas vezes bizarros) que me perturbam, por palavras que me transmitissem o que vai na tua mente inocente: aquilo que mais desejas, mais anseias, mais temes ou simplesmente, o que te atormenta – porque às vezes as palavras te faltam, as ideias te confundem ou simplesmente a tua intencionalidade não surge no nosso timing, no nosso tempo conjunto;

sentiria que há vidas tão mais fáceis, que podiam muito bem ser a tua, porque és apenas uma criança e merecias que o mundo não te isolasse só porque não sabe lidar com a diferença;

aprenderia que, mais do que aprenderes a ler, escrever e calcular, é muito mais importante aprenderes a ser e a viver, o teu Eu, entre o Nós e no mundo que nos envolve – sem medos e sem sombras, por ti mesmo, com a máxima autonomia possível;

Seria provavelmente uma mãe, como tantas outras, que não baixaria os braços mesmo perante os piores prognósticos porque, ao olhar profundamente nos teus olhos, sentiria aquilo que sinto: que o hoje até pode ser nublado, mas que se acreditar em ti e souber respeitar o teu tempo, podemos juntos alcançar SEMPRE novas etapas e conhecimentos!

Texto inspirado nas vivências partilhadas pelas mães das crianças e jovens ao longo destes anos de experiência profissional.

A todas as mães, um obrigada pela vossa partilha diária!

Advertisements