Ética em Psicologia Clínica

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Etimiológicamente Ética significa modo de ser ou caráter. Assim, ao nível da Psicologia, a ética está direcionada para a relação com o cliente/paciente. Segundo Bricklin (2001), a ética constitui a essência do exercício da Psicologia, como tal é fundamental que caminhem lado a lado. A construção de um código deontológico e definição dos princípios éticos adaptados à realidade Portuguesa tem sido objeto de estudo nos últimos anos, principalmente com a formação da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP). Trata-se, portanto, de um conjunto de regras pelo qual todos os Psicólogos devem seguir de forma a contribuir para a melhoria do bem-estar de todos os que procuram os seus serviços bem como do bom nome da Psicologia e todos os profissionais que a exercem.

À luz da Psicologia Clínica, este é um assunto ainda mais delicado na medida em que o Psicólogo se depara com dilemas éticos que podem não só envolver o cliente/paciente como terceiros. Num dilema ético o Psicólogo deve avaliar o que será melhor para o outro e deve procurar orientar a sua decisão pelos princípios éticos que sustentam a sua prática.

Ética na avaliação

A avaliação psicológica é, por definição, uma área específica e exclusiva da psicologia. Aqui o Psicólogo deve utilizar os mais diversos meios que tem à disposição para realizar uma avaliação mais rigorosa possível de forma a obter um diagnóstico fidedigno. Quanto ao processo de avaliação Debra Luepnitz (1998) sublinha a obrigação moral e ética da prática do Psicólogo em que este “precisa ter consciência do poder e da influência que ele/ela exerce sobre a vida do cliente, seja indivíduo, casal, família, grupo, instituição, empresa, comunidade. Uma dessas manifestações de poder é a forma como utilizamos o diagnóstico”.

Ética na intervenção

A relação com a criança, nomeadamente a aliança terapêutica é um dos principais fatores do sucesso da mesma. Aqui um dos principais aspetos a ter em conta é a confidencialidade e privacidade da criança. Mais uma vez, os Psicólogos Clínicos que trabalham com uma população pediátrica têm uma preocupação acrescida. É importante que os pais estejam a par de todo o processo terapêutico sem que, no entanto ponhamos em causa o principio da confidencialidade bem como a relação de confiança que temos com a criança. Na prática clínica é normal darmos um pequeno feedback aos pais de como correu a sessão bem como termos sessões conjuntas com os pais e criança ao longo do processo terapêutico. Para que isto aconteça de forma harmoniosa o que é contado aos pais é combinado com a criança na sessão. Assim, informamos e incluímos os pais no processo sem pôr em causa a relação de confiança entre o Psicólogo e a criança bem como o sucesso da intervenção.

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