O papel dos técnicos no processo educativo de uma pessoa com NEE: quem faz o quê?

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Quando se tem um filho com problemas de desenvolvimento, os pais são confrontados com uma série de dúvidas, solicitações, ajudas e preocupações, questionando qual será a melhor especialidade e a quem poderão recorrer no processo terapêutico.

Existe um número alargado de especialistas que têm um papel ativo e muito importante no percurso de vida destas pessoas.

A preocupação primária, será, tranquilizar e informar a família. Posteriormente, terá que estabelecer-se uma relação empática e de confiança entre as partes envolvidas.

Em edições anteriores, foi dado a conhecer as diferentes especialidades técnicas, e as suas especificidades, que poderão estar envolvidas no processo de intervenção de uma pessoa que careça de necessidades educativas especiais (NEE).

Qualquer que seja o interveniente (Técnico Superior de Educação Especial e Reabilitação; Psicólogos; Terapeuta da Fala) no acompanhamento e avaliação destes indivíduos, importa que cada um saiba, qual o seu papel neste processo, de forma a poder cumpri-lo com rigor. Assim, deverá dominar Modelos, Técnicas e Instrumentos para a avaliação (avaliações formais e informais; Perfil Neurocomportamental), elaboração de Programas de Intervenção (baseados em estudos científicos) e Coordenação com os restantes técnicos presentes no processo de reabilitação.

Os técnicos envolvidos deverão intervir de forma direta e/ou indireta junto das famílias, educadores/professores, colegas de profissão e outros profissionais que façam parte do Plano Educativo e de Saúde da pessoa em questão.

O desempenho de qualquer profissão nesta área, exige um conhecimento transdisciplinar e uma atualização sistemática dos conteúdos a implementar.

Esta é a abordagem utilizada pelos técnicos do Centro Diferenças.

Independentemente da sua formação clínica ou pedagógica, deverão dar apoio em todas as áreas do neurodesenvolvimento. Naturalmente, nem todas as necessidades do desenvolvimento podem ser colmatadas com esta abordagem, havendo necessidade de recorrer a outras valências, sempre que necessário.

A educação e o desenvolvimento de qualquer criança com NEE implica muito esforço e dedicação de ambas as partes.

Não podemos perder de vista a melhoria constante do neurodesenvolvimento, a aquisição de comportamentos pessoais e sociais convencionais e uma adequada autonomia. Para atingirmos estes objetivos, deverão os técnicos, desde logo, iniciar programas com o objetivo de promover a modificabilidade cognitiva e a maximização do comportamento adaptativo, contribuindo para que a criança atinja o seu maior potencial, de forma a poder vir a desempenhar um papel social relevante.

A terapia escolhida tem que ser um ato de equilíbrio entre as necessidades da criança e as rotinas da família.

Quem quer que seja que trabalhe com crianças com NEE, terá que ser exemplar no conhecimento do neurodesenvolvimento infantil, bem como nas técnicas e métodos de ensino mais adequadas a cada caso, assumindo sempre uma postura ética perante todos os envolvidos.

No que diz respeito ao profissional do Ensino Regular (educador/professor), é seu dever promover uma interação positiva e cooperativa entre alunos com e sem NEE. Trabalhando de forma cooperativa, os alunos tendem a mostrar um maior reconhecimento e a encorajar e apoiar os alunos com NEE, criando-se assim, experiências positivas que proporcionam uma oportunidade de crescimento social e emocional a todos os envolvidos. É, igualmente, desejável que o docente do ensino regular estabeleça uma estreita colaboração com o profissional de educação especial, bem como com outros técnicos que estejam envolvidos no processo educativo e inclusivo da criança.

É fundamental identificar as prioridades da família, ou seja, assegurar que a Intervenção planeada, seja dirigida e implementada de forma a ajudar as famílias a conseguirem o que é importante para elas, e não, somente, o que os profissionais julgam ser importante.

Os pais têm um papel fundamental, implementando disciplina, firmeza, confiança, persistência.

A participação de uma família cooperante, exigente e carinhosa, num ambiente confortável e positivo em todo o processo educativo, é sem dúvida a melhor alavanca para um futuro risonho nos progressos do neurodesenvolvimento da sua criança.

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