Sabia que o uso prolongado da chucha é prejudicial para o desenvolvimento da criança?

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A sucção é um comportamento instintivo e, é uma das primeiras funções da boca e a mais exigente de todas. A dificuldade está em coordenar as várias funções ao mesmo tempo, o sugar, o engolir e o respirar!

Os músculos orais que o bebé utiliza quando suga, serão os mesmos que irá utilizar para falar. A sucção tem a função de preparar os músculos do bebé para falar. Um bebé que mama bem, tem maior probabilidade de respirar melhor e de desenvolver a linguagem e a fala de forma mais harmoniosa.

Sendo assim, o hábito de sucção é favorável durante os primeiros tempos de vida da criança pois, ajuda a desenvolver todas as estruturas necessárias para um bom desenvolvimento da respiração, mastigação, fala e deglutição.

Contudo, o uso prolongado da chucha (inclusive a “chucha anatómica”), do biberão ou o hábito de sugar nos dedos devem ser evitados pois estão associados a alterações dentárias (mordida aberta, mordida cruzada, etc), alterações na posição da língua e lábios, respiração e, alterações da fala e da mastigação.

As alterações variam de criança para criança de acordo com a frequência (quantas vezes e quanto tempo a criança efetua a sucção por dia), intensidade (força usada na sucção) e duração do hábito (há quanto tempo meses/anos suga).

Por volta dos dois anos de idade, a criança já apresenta alguns dentes, neste sentido, se o uso da chucha ou do biberão se mantiver, a posição da língua e da arcada dentária ficará comprometida, assim como, o seu correto desenvolvimento.

Normalmente, as crianças que recorrem a este tipo de objetos até tarde, apresentam uma mordida aberta, devido ao espaço ocupado pelos mesmos entre os dentes. A mordida aberta manifesta-se com o aparecimento de um espaço entre os dentes superiores e inferiores quando estes se encontram fechados. Este espaço, permite que a língua saia da cavidade oral durante a produção de determinados sons, provocando uma perturbação articulatória designada por sigmatismo (habitualmente referida como “sopinha de massa”).

O uso prolongado da chucha também provoca alterações nas funções respiratória e da deglutição, uma vez que, a criança habitua-se a fazer uma respiração predominantemente oral. Este tipo de respiração provoca uma alteração da postura dos lábios e da língua e sono agitado (com ressonar associado), deixando a criança cansada, o que, naturalmente, terá repercussões no seu dia a dia.

A deglutição atípica pode também ser uma consequência do uso da chucha dado que, resulta de uma incorreta postura da língua, tanto em repouso na cavidade oral como ao engolir.

Face ao acima exposto considera-se que a idade limite para retirar a chucha será entre os dois e os três anos de idade, pois o risco para o normal desenvolvimento da criança será maior se o hábito da sucção permanecer após o aparecimento dos dentes.

Por

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Dra. Susana Frango

Terapeuta da Fala

Bibliografia:

http://www.isaudebahia.com.br

http://arevistadamulher.com.br/bebes/content/2211045-chupeta-veja-10-razoes-para-nao-incentivar-o-uso-pelos-bebes

http://www.multiclinica.pt/docs/3.pdf

Rombert, J. (2013). O gato comeu-te a língua?. Lisboa: A esfera dos livros

Mesomo, C. & Losso, E. (2004). Avaliação dos efeitos do uso prolongado de chupetas convencionais e ortodônticas sobre a dentição decídua. Rev Ibero-am Odontopediatr Odontol, 7 (38): 360-4

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